quarta-feira, 27 de maio de 2009

O Planeta Vermelho

Os maias viam a Via Láctea como a estrada mística que as almas percorriam até ao Além. Os índios americanos pawnees atribuíam a criação do mundo ao deus Tirawa, que mandou as estrelas segurarem o céu. E uma lenda do povo fon, da África Ocidental, diz que Lisa, o deus do Sol, criou o universo com a sua irmã gémea Mawu, a deusa da Lua, e Da, a serpente cósmica.

Do oceano profundo às fronteiras do espaço, as coisas distantes plenas de mistério inspiram os seres humanos a criar mitos. Foi isso que sucedeu com Marte. Inspirado em Marte, o deus romano, o Planeta Vermelho foi desde cedo representado por um círculo com uma pequena seta a apontar para fora, simbolizando o escudo e a lança utilizados pela divindade.

A cor vermelha e as especulações iniciais de que os "canais" da sua superfície poderiam indicar a presença de vida inteligente inspiraram vários romances que exploraram a possibilidade de os marcianos abandonarem o seu planeta moribundo e invadirem a Terra. Agora, com a lente focada na ciência, desvendamos a natureza de algumas das caracteríticas geológicas marcianas, mas fazemos votos para que o planeta nunca perca a sua capacidade de nos espantar.

O planeta Vermelho, com nuvens de gelo à deriva sobre antigos vulcões, vai girando sobre si mesmo a mais de 80 quilómetros da Terra. Actualmente, os robots Spirit e Opportunity vagueiam pelo planeta, recolhendo dados importantes sobre ele, enquanto que também foi lançado um módulo de superfície, o Phoenix, que se juntou aos robots para investigar a presença de água e gelo. Crê-se que Marte num período inicial da sua história foi um planeta habitável. Mas esperam-se respostas a muitas perguntas em missões futuras.
Fonte: National Geographic de Janeiro de 2009

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