Alfred Russel Wallace, o homem que não era Darwin, mas que traçou uma linha divisória fundamental no mundo vivo e descobriu o seu próprio caminho para a teoria da evolução. Wallace foi um evolucionista contemporâneo de Charles Darwin que seguiu pisadas idênticas na área do evolucionismo, mas que ainda assim viu o seu trabalho de longe. Apesar disso, mais tarde tornaram-se amigos. Wallace traçou uma linha que serve para descrever duas grandes regiões de fauna e a fronteira entre elas, definida por uma fossa oceânica de grande profundidade. A oeste da linha, predominavam grupos como calaus, carnívoros, primatas e insectívoros. Os marsupiais, catatuas e outros grupos distintivos predominavam a leste. Os padrões biogeográficos ajudaram-no a definir o seu pensamento sobre a evolução. Essa linha separava o Sudeste Asiático e Austrália do resto da Ásia.
A oeste da linha Wallace, em Sumatra, observou uma espécie de borboleta aparentada com espécies africanas e asiáticas. A leste da mesma linha, nas Molucas, encontrou casuares, aves que não voam, típicas da Nova-Guiné e da Austrália. Tal como Charles Darwin, Wallace começou como um jovem amador de coleópteros britânicos. Depois viajou para longe como coleccionador comercial. Wallace recolheu mais de cem especímenes da borboleta Ornithoptera croesus, na ilha de Batchin, que mostram o tipo de variações individuais que constituem a matéria-prima da selecção natural. Pouco dado a sentimentalismos, Wallace até recolheu orangotangos. Tentou criar um jovem órfão, mas esfolou-o quando ele morreu. Um dos seus espécimes encontra-se actualmente num armazém do Museu de História Natural de Londres.
Embora o trabalho de Wallace não seja tão famoso, foi igualmente importante como o trabalho de Darwin.

Fonte: National Geographic de Março de 2009
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